Bone Tomahawk, de S. Craig Zahler

vlcsnap-2016-11-28-00h45m07s85A criação da mitologia do oeste americano deve-se exclusivamente para a força que o gênero Faroeste conseguiu alcançar durante toda sua maciça existência. Presente desde os primórdios do cinema, a excelência de narrativa e público que o gênero manteve durante tanto tempo segue até hoje inexplicável para aqueles que tentam compreender o cinema em sua totalidade. Quando surgem filmes de excelência distantes do período de sua febre é notável que a morte do gênero não foi uma mera questão de desgaste.

Com o aparecimento de Bone Tomahawk foram levantadas questões de se ele significava o ressurgimento do gênero nessa era moderna do cinema. Mas se fomos levar em questão que desde a morte significativa do gênero em Hollywood (com o excelente Os Imperdoáveis), o faroeste foi visitado nas suas diversas vertentes, mesmo que em quantidades pouco significativas. O Ozploitation pode ser visto como um gênero que surgiu ainda que no fim do faroeste revisionista com obras como Mad Max e que se manteve durante décadas seguintes sempre entregando obras notáveis.

Como ocorreu com Dead Man (onde Jarmusch se aproveitou do gênero para criar um subgênero ao seu deleite), o que vemos em Bone Tomahawk é o gênero sendo corrompido de seu formato clássico para se aventurar em linhas não muito convencionais de se misturar com ele. O faroeste cede o espaço para o terror psicológico, abraça o gore e não teme de negar a trilha sonora, se utilizando apenas de sons ambientes.

Toda a aventura que Zahler leva o telespectador usando o Faroeste como pontapé inicial é prazerosa quando ele não se encabula de se utilizar (e as vezes até avacalhar) dos arquétipos do gênero. Temos a cidadezinha onde todas as pessoas relevantes são conhecidas (e não demora muito para que quem tá assistindo também conheça); temos o lugar em comum onde as tramas principais ocorrem e se desenvolvem (o bar e mais tarde a delegacia); temos o xerife linha dura, o bêbado falastrão, o veterano de guerra, o cowboy clássico, o médico, o forasteiro que carrega a causa e efeito para que a trama se torne real. Está tudo ali, pronto para que nos permitamos adentrar mesmo sem saber o que realmente vamos encontrar.

É ai que surge o horror, quando percebemos que algo foge do habitual a se presenciado nesse tipo de gênero. Os nativos canibais além de carregar toda a mitologia que estamos sedentos para descobrir, levam em sua onipresença toda a tensão que a qualquer momento parece que vai explodir na tela. Até que explode e o extracampo se desenvolve dentro do campo, e nos deparamos com algo novo, incrível e envolvente.

Bone Tomahawk pode não ser um western por excelência, suas falhas são tão transparentes quanto suas qualidades. Mas ele acaba sendo um western por excelência por não ser perfeito. Não podemos nos esquecer que os grandes westerns feitos foram num sistema que hoje chamamos de cinema B.

E os defeitos desse tipo de cinema é o que o torna tão atraente.

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