Quadrilha Maldita, de André De Toth

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Logo nos minutos iniciais de Quadrilha Maldita (Day of the Outlaw, 1959)e perguntava porque André De Toth havia escolhido fazer o filme em preto e branco. Não que eu esteja afirmando que isso tenha sido uma escolha dele, pode ser que o estúdio e/ou o financiamento tenha determinado isso, mas gosto de ter a fantasia mental que os diretores são totalmente donos de seus filmes. Esse pensamento talvez tenha vindo por ter tido recentemente uma experiência cinematográfica de um filme seu usando a tecnologia 3D (House of Wax, 1953) que ainda engatinhava da década de 50. Toda sua noção de cores e das profundidades que ela podiam proporcionar me fizeram ficar admirado com seu domínio cinematográfico.

Todo esse questionamento foi em terra logo em seus primeiros 20 minutos quando acontece a primeira reviravolta da trama e acabei entendendo que o preto e branco era para alimentar toda a claustrofobia que a narrativa carrega. Naquele cidade perdida no meio de toda aquela neve não existem cores. Seja de seus moradores como todos daqueles que vão parar naquele fim de mundo. Quando William A. Wellman fez Dominados Pelo Terror (Track of the Cat, 1954) ele disse que queria fazer um filme preto e branco em cores. Mesmo com a ambientação parecida dos dois filmes (western de neve) o que Toth faz aqui é criar um filme onde as cores não precisam existir, na verdade não têm espaço para aparecer. Elas não são bem vindas. Toda a atmosfera sombria da história é enfatizada ao extremo pela fotografa que transforma aquela áurea pessimista que rodeia todos os personagens em uma perspectiva que se aproxima muito do NO FUTURE NO HOPE que os punks iriam levantar na sociedade setentista pós era hippie e pré década perdida da geração X.

Mas é no seu fim, quando o filme abandona todos aqueles que não interessam para focar nos personagens que se impõem a trama, é quando vemos que as personas que existem no universo western carregam dentro de si uma noção de fatalismo que só veríamos ser tão incorporada nos filmes policiais. Os Cowboy e os fora-da-lei esperam uma saída mesmo diante de um futuro inexistente.

O fim para os mais céticos pode acabar sendo um tanto indigesto, mas basta lembrar que estamos falando do western, onde as lendas devem ser publicadas e as verdadeiras histórias acabam sendo esquecidas.

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