Christine, de Antonio Campos

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Ser um diretor é indagar a todo momento se seu filme se faz necessário. É estar sempre se questionando sobre o que realmente está sendo feito durante todo o processo de criação. É se perguntar se realmente as imagens que estão sendo feitas ali são realmente devidas. Vendo Christine, do Antonio Campos, acabei me permitindo sentir esses pensamentos que são de exclusividade do diretor. Não só por se tratar de uma história que eu já sabia onde iria acabar, nem também pela sensação de curiosidade de como ela iria ser contada, mas simplesmente pela obsessão coletiva que foi criada diante da persona principal. Christine Chubbuck acabou se tornando um dos mitos mais intrigantes da era moderna. O seu suicídio ao vivo se tornou meio que objeto de uma curiosidade mórbida de todos aqueles que sempre quiseram (mentiria quem negar que nunca tivera curiosidade ou até tentou procurar o vídeo na rede) assisti-lo.

Acabou que a conclusão de que as imagens são inexistentes tornou-se uma frustração coletiva e o surgimento desse filme do Campos acaba sendo uma corajosa e ousada necessidade de criar a imagem que todos sempre quiseram ver. O que torna Campos corajoso é querer contar uma história tendo por base um suicídio, sendo isso também o que o torna ousado, se utilizando de escolhas que o fazem a todo momento andar por um caminho de ovos, onde a qualquer momento o controle do seu carro pode cair num precipício.

O mais divertido disso tudo é perceber que tanto faz se Christine é um filme bom ou ruim, ou se o roteiro perde muitas vezes a oportunidade de ficar calado (?). Ele é um filme que está fadado ao ostracismo se for buscar abrigo nos braços do seu público alvo, e longe de ser aclamado por quem desconhece a história e acabar entrando de gaiato no navio.

Como artista de um só sucesso, Christine faz por cima de uma só cena, aquela que todos estavam esperando desde a lida da sinopse na fila do cinema ou anos lendo blogs/fóruns sobre teoria da conspiração. O que poderia ser uma prisão acaba sendo libertador pois as imagens que serão recriadas só aconteceram, ou seja, não existem de verdade, então passarão a existir pela primeira vez.

Campos pode muito bem ser mais um daqueles que estavam compartilhando informações e conversando sobre Chubbuck em fóruns ou em comentários de blogs, um obsessivo tão louco que precisava que as imagens fossem reais, que elas existissem, e então ele decidiu ele mesmo as criar, pois não aguentava perceber que continuava a espera para ver um vídeo que ninguém realmente precisa assistir.

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