Conclusões de 2016

Gosto de listas. Queria começar com essa afirmação porque muitas vezes falamos que listas não são legais, mas no fundo sentimos e sabemos que estamos mentindo. Escolher por mais doloroso que seja é muito divertido. É uma sensação de arriscar e dar a cara a tapa de uma forma tão intensa que chega a parecer o mesmo sentimento de adrenalina. Fazer listas todos os finais de ano acaba sendo um ritual necessário (pelo menos para mim) por alimentar essa inconsequência de se arriscar sem perder nada com isso. Sempre que faço essa lista acabo finalizando com uma menção honrosa que acaba sendo entregue para a sessão que mais me marcou naquele determinado ano. Esse ano, por mais que tenha tido várias sessões marcantes, não tive nenhuma como tive ano passado com Fantasia e Mad Max no São Luiz, nem no ano que o antecede que entreguei todas as minhas honras para Rocky Horror Picture Show – por incrível que pareça também no São Luiz. A sessão desse ano foi no meu quarto, na madrugada da véspera do ano novo. Sem nenhum luxo, com nenhuma cerimônia. E com a lista do ano já finalizada. Pode não ser o melhor filme do ano, mas todas as suas qualidades o colocam ele facilmente figurando entre por entre os que são melhores que ele. Hell or High Water é um western, se analisado detalhadamente pode ser até adentrar naquilo que Bazin chamou de gênero americano por excelência. Não duvido, mas é com ele que, enfim, entrego minha lista dos melhores filmes que povoaram esse turbulento e decisivo ano:

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  1. O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
  2. O Tesouro, de Corneliu Porumboiu
  3. Toni Erdman, de Maren Ade
  4. Academia das Musas, de José Luis Guerín
  5. Hell or High Water, de David Mackenzie
  6. A Cidade Onde Envelheço, de Marília Rocha
  7. A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa / Ela Volta na Quinta, de André Novais Oliveira
  8. Carol, de Todd Haynes
  9. O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, de João Botelho
  10. A Bruxa, de Robert Eggers / Bone Tomahawk, de S. Craig Zahler

Conclusões de 2015

Vejo 2015 como um ano de reencontros e despedidas.
Do doloroso ato de dizer adeus ao maravilhoso poder de dizer ‘olá’ mais uma vez.
Apresento os filmes que me fizeram acreditar no cinema nesse turbulento ano que se passou:

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  1. Visita ou Memórias e Confissões, de Manoel de Oliveira
  2. Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  3. As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes
  4. Adeus à Linguagem, de Jean-Luc Godard
  5. A Assassina, de Hsiao-Hsien Hou / Lugar Certo, História Errada, de Sang-Soo Hong
  6. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
  7. Dois Dias, Uma Noite, de Jean- Pierre Dardenne e Luc Dardenne
  8. A Sapiência, de Eugène Green
  9. João Bernard da Costa: Outros Amarão As Coisas Que Eu Amei, de Manuel Mozos / Nick Cave:  20.000 Dias Na Terra, de Iain Forsyth e  Jane Pollard
  10. Pasolini, de Abel Ferrara

Menção Honrosa

Queria agradecer mais uma vez ao Janela Internacional de Cinema do Recife que na sua VIII edição proporcionou a sessão que habitará na minha mente por toda eternidade.

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  • Fantasia (1940)

Conclusões de 2014

Acredito que 2014 foi um ano de certezas.
Um ano que fez surgir esperanças no novo, no antigo, e no que virá.
Sem muita cerimônia, apresento os filmes que considero os melhores do ano:

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  1. Era Uma Vez Em Nova York, de James Gray
  2. Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki
  3. Boyhood: Da Infância à Juventude,  Richard Linklater
  4. Garota Exemplar, David Fincher
  5. Branco Sai Preto Fica, Adirley Queirós
  6. Lucy, Luc Besson
  7. Mapas para as Estrelas, de David Cronenberg / Bem-Vindo a Nova York, de Abel Ferrara
  8. Amantes Eternos, Jim Jarmusch
  9. Jersey Boys: Em Busca da Música, de Clint Eastwood / Inside Llewyn Davis, de Ethan e Joel Coen
  10. Quando Eu Era Vivo, Marco Dutra

Menção Honrosa

Existem filmes que não deveriam só ser apreciados nas pequenas mídias. Merecem a tela grande, com a melhor qualidade possível. Só depois do dia 25 de Outubro de 2014 eu pode constatar toda a potência de uma das obras que mais tive o prazer de ver ao longo da vida, então guardo para ela a maior das menções:

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  • The Rocky Horror Picture Show, de Jim Sharman

Conclusões de 2013

2013 foi, acima de tudo, um ano de recomeços. Um ano onde as renovações se mostraram importantes. Um ano onde a liberdade finalmente decidiu lutar para ter seu espaço.
O cinema nunca foi tão ousado. Nunca se sentiu tão a vontade para se reconstruir.

Eis aqui os 10 filmes que considero os melhores do ano:

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  1. Antes da Meia-Noite, de Richard Linklater
  2. Um Estranho no Lago, de Alain Guiraudie
  3. A Caça, de Thomas Vinterberg
  4. Blue Jasmine, de Woody Allen
  5. Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche
  6. Frances Ha, de Noah Baumbach
  7. The Canyons, de Paul Schrader
  8. Upstream Color, de Shane Carruth
  9. O Homem das Multidões, de Marcelo Gomes e Cao Guimarães
  10. Invocação do Mal, de James Wan

Menções Honrosas

2013 também foi um grande ano para a renovação de clássicos que viviam no meu subconsciente (Um Tiro Na Noite, A Mosca, Era Uma Vez No Oeste, O Bebê de Rosemary, Metropolis, O Último Imperador). Um grande ano para obras brasileiras que mostram um cinema no Brasil que tem força e originalidade (O Som ao Redor, Jardim Atlântico, Tatuagem). Mas, de todos os filmes que vi em festivais, um (curta) merece toda a atenção. E é para ele que guardo a maior dessas menções:

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  • O Que Arde Cura, de João Rui Guerra da Mata

Conclusões de 2012

Ano derradeiro esse 2012. Muitas noticias nos bombardearam, mas a profecia maia para o fim do mundo foi o que mais nos marcou. Felizmente (?) o mundo não acabou e cheguei intacto ao dia 31 de dezembro para mostrar o que achei do cinema desses 365 dias.

Sem delongas, apresento a lista dos filmes que, na minha humilde opinião, seguem como os melhores do ano:

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  1. Tabu, de Miguel Gomes
  2. O Som Ao Redor, de Kleber Mendonça Filho
  3. Holly Motors, de Leos Carax
  4. A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese
  5. A Separação, de Asghar Farhadi
  6. Amor, de Michal Haneke
  7. Shame, Steve McQueen
  8. Um Método Perigoso, de David Cronenberg
  9. Moonrise Kingdom, de Wes Anderson
  10. Drive, Nicolas Winding Refn

Menção Honrosa:
Mesmo com as surpresas do cinema atual, não se pode negar que qualquer oportunidade de assistir no cinema filmes clássicos são mais instigantes que qualquer coisa. Filmes que você só teve a oportunidade de ver por Download ou por DVD. Filmes que se tornaram seus favoritos e que marcaram sua vida cinéfila. Filmes que você sabe os diálogos decorados, as musicas e que não se cansa de assistir.

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  • Veludo Azul, de David Lynch